Apresentação

Alguma coisa está fora de ordem. Esse sentimento de deslocamento que atravessa o mundo e nos deixa  envoltos a um presente fissurado e dividido, a um tempo que é um outro – oblíquo e torcido, é matéria fundamental do pensar reflexivo da tradição e da prática filosófica desde sempre.  Neste tempo marcado por rupturas de pactos democráticos, de desconstituição da autoridade e legitimidade da ciência, do desrespeito à liberdade de expressão e autonomia da arte, da formação de crises éticas e morais de relações e instituições, a convocação ao pensar crítico se torna uma urgência em todas esferas da vida social.  Em um tempo que está “out of joint”, como diria Shakespeare no ato V de Hamlet , um tempo fora dos eixos, marcado por contratempos engolidos pela aceleração da vida, é o alerta de que a humanidade passa novamente a adentrar tempos sombrios, de recomposição de dinâmicas a nível mundial que está sistematicamente interconectada, tempos desajustados que produzem injustiças, assimetrias políticas e desajustamentos ontológicos. 

Como um espectro que paira no horizonte, a “emergência da filosofia” ronda nos poros de um novo que está nascendo e um velho que está morrendo, e não é somente um movimento necessário e fundamental para a crítica em tempos de crise, mas o túnel no final da luz, a fresta que abre para a aventura do pensamento novos paradigmas, novos debates.  Não é a toa que o desafio continua sendo, como já dizia Hegel, de capturar nosso tempo em conceitos, de cooperativamente promover e refletir acerca de diagnósticos que nos apontem saídas dos becos que a história nos impõe. Neste ensejo, o Colóquio Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFSC, nesta sua terceira edição, tem por objetivo criar um ambiente no qual todos/as os/as estudantes de pós-graduação stricto sensu, de todas as regiões e universidades, possam apresentar e debater suas pesquisas em andamento, aperfeiçoando suas investigações filosóficas no esforço de uma compreensão das conjunturas e disjunturas do tempo presente.

Em tempos de indigência a filosofia torna-se outra vez uma emergência: tanto no sentido de que em tempos críticos o pensamento é um dos primeiros a ser atacado e, por isso, sua emergência é tanto maior quanto a gravidade da situação em que se encontra, quanto no sentido de que em tempos graves a filosofia tem a necessidade premente de ressurgir, (re)emergir, em suas plurais dimensões – seja criticamente, em sentido polêmico, combatendo as disjunturas do presente, seja de forma livre e responsiva, no tempo propício no qual a filosofia irrompe como uma atividade extraordinária e, por isso, tão intolerável a tudo que é ordinário e mesquinho em nossos tempos. Tendo em vista a conjuntura – ou conjunto de situações e eventos – filosófica, política e social de nosso tempo e suas disjunturas agonísticas, este colóquio se propõe a ser um espaço de divulgação da pesquisa filosófica – em uma época de obscurantismos e ataques à educação e ao pensamento livre – com vistas ao debate plural e à circulação de resultados e impulsões da atividade filosófica realizada contemporaneamente. Neste ensejo, o III Colóquio Nacional de Pesquisa em Filosofia da UFSC tem por objetivo criar um ambiente no qual todos/as os/as estudantes de pós-graduação stricto sensu, de todas as regiões e universidades, possam apresentar e debater suas pesquisas em andamento, aperfeiçoando suas investigações filosóficas no esforço de uma compreensão das conjunturas e disjunturas do tempo presente

O evento ocorrerá entre os dias 11 e 13 de novembro de 2019, no campus Trindade da UFSC, em Florianópolis, Santa Catarina, Brasil e toma como eixo as três áreas de concentração dos núcleos de investigações do PPGFil/UFSC (ontologia; lógica e epistemologia; e ética e filosofia política). Contudo, a receptividade para submissões não é restrita a estas áreas. As propostas de resumos possuem temática livre, ou seja, o interesse do evento é justamente receber a multiplicidade de temas que estão em investigação país afora, possibilitando o diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores. Incentivamos também a proposição de mesas temáticas entre colegas cujas pesquisas coincidam e querem aproveitar a ocasião para compartilhar resultados entre si, forma eficiente de enriquecer o debate, divulgar as pesquisas, além de promover uma cultura de cooperação acadêmica.

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